Geral · 15 de abril de 2022

Está consumado

Está consumado, descido da Cruz e agora sepultado está Nosso Senhor.

E nós, nós estamos embriagados em mais um feriado. Nossos stories são apenas a grosseria de um mundo sem o poder do mito e do sagrado, por isso mesmo onde todas as esferas são do reino do político.

E quanto ao Homem-Divino, pouco é lembrado, não vale tanto mais a pena. E o que isso diz sobre nós, que o pecado toma conta de cada refúgio de nossas almas e nem mais isso nos causa nojo ou repulsa de nós mesmos.

Voltando da Missa minha avó resumiu o estado geral de nossa época e lugar: Está todo mundo virando ateu e nem sabe.

Escrevendo sobre este dia, Santo Agostinho nos diz:

«Quereis saber o valor do amor? Olhai para a cruz. Você vale um Deus crucificado.»

E eu mesmo que julgo quem faz deste dia apenas mais um dia, sou tomado não pela soberba de valer um Deus morto, mas pela vergonha de ser um péssimo cristão em todos os seus graus, pois tomado de minhas e máximas culpas por está longe de ser e às vezes longe de querer ser bom, também sou culpado por seu calvário.

Me causa nojo de mim mesmo ver tanto horror e zombaria contra o frágil Deus dependurado para no final saber que quem o condenou não foi Anás, Caifás, Herodes ou Pilatos; fui eu com meu pecado mortal e venial.

E desavergonhando pelo materialismo que nos rodeia e que me rodeia, desejamos apenas um dia de livre hedonismo, quando a essência deste dia é que agora somos salvos de nós mesmos.

Possivelmente o Santo Livro tenha mais razão do que eu ao contar pelos lábios de Nosso Senhor o que passamos:

«Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.
Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.
Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa.»

O Evangelho segundo São João é claro sobre nosso próprio desconhecimento de nossa escuridão.

Nós nos esquecemos de Deus, mas Deus não nos esqueceu. Não é afinal apenas mais um feriado.

Texto de Ribas Neto.